O “sangue” do Esporte Clube Vitória: um caso de boas práticas de marketing desportivo

by / Quarta-feira, 04 Julho 2012 / Published in Artigo Opinião, Artigos, Branding, Marketing, Marketing Desportivo, Marketing Social
Chegou-me há dias, pela mão do João Bem, o vídeo de uma acção de comunicação de um clube brasileiro, cujo objectivo é estimular os seus adeptos a doarem sangue. Nesse sentido, o clube em causa – o Esporte Clube Vitória, resolveu alterar a cor da sua camisola, tradicionalmente com listas horizontais pretas e vermelhas, para listas horizontais pretas e brancas. O que se pretende é que, consoante forem aumentando as doações de sangue, a cor branca seja paulatinamente substituída pelo vermelho tradicional do equipamento, como se este significasse de facto o sangue dos adeptos. O mote da campanha é por isso “O Vitória sempre deu o sangue por você. É hora de retribuir. Doe.”.
Achei esta acção muito interessante por vários motivos, pois reflecte algumas variáveis com os quais me tenho vindo a debater nesta área sectorial do marketing. Passo a explicar:
– Parece-me claro que o marketing social, seja em que sector for, deixou de ser uma tendência no que refere ao reforço da relação das marca com o público-alvo. De facto, uma organização que não esteja socialmente envolvida com a comunidade local/nacional/internacional (consoante a sua dimensão), tem menos hipóteses de sobreviver num ambiente cada vez mais hostil e competitivo. Contribuir para aqueles que torcem por nós e que nos apoiam, é claramente uma forma de retribuir. Um dos exemplos recentes da interligação do marketing social e desportivo, foi a campanha realizada pela equipa de F1 da Red Bull para angariar um milhão de euros para o tratamento de lesões na medula espinhal. Curiosamente, em Portugal, e relacionado com o desporto, recentemente, só me recordo do movimento criado para ajudar o filho do futebolista Carlos Martins, que não tem necessariamente a ver com as referidas acções do Vitória e da Red Bull, em que foram as próprias a marcas iniciar o processo;
– É curioso perceber como um clube com 103 anos de história (foi fundado em 1899) não tem receio de “alterar”, momentaneamente, uma parte do seu ADN, como é a alteração das cores que o clube enverga na camisola, e que são um símbolo do mesmo. Imaginam alguns clube nacionais a fazer o mesmo? Pois, eu também não. Mas seria interessante fazê-lo, seria interessante fazer esta “provocação”, se bem que apenas resultaria se devidamente enquadrada do ponto de vista estratégico;
– A ideia é simples e de fácil execução. De certeza que não foram precisos orçamentos milionários para a realização de um vídeo de divulgação e uma landing page no Facebook. Estamos a falar de um clube que aderiu ao Facebook no dia 27 de Junho de 2012 (sim, leram bem), e que até já foi notícia na BBC à custa desta acção.
Essencialmente, acho que devemos mudar o nosso ponto de partida quando nos é colocado um desafio. Em vez de pensar “qual é o orçamento que tenho para fazer isto?”, devemos antes pensar “que ideias tenho de ter para superar este desafio?”. O problema, parece-me, é que muita gente continua a fazer a primeira pergunta..
Fica aqui o vídeo da acção em causa:
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